“ China considera perigoso bloqueio do Estreito de Ormuz pelos EUA”


A China classificou, esta terça-feira, como perigoso e irresponsável o bloqueio anunciado pelos Estados Unidos no Estreito de Ormuz e alertou que a medida pode agravar a tensão e pôr em risco o cessar-fogo na região.
 

O alerta foi feito pelo porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Guo Jiakun, em conferência de imprensa, tendo sublinhado que o reforço do dispositivo militar norte-americano e as acções de bloqueio vão aumentar a tensão e minar o já frágil cessar-fogo.


OLIVIER HOSLET/EPA

Segundo a mesma fonte, citada pela Lusa, a situação encontra-se numa fase crítica e a prioridade deve ser evitar a retoma das hostilidades e preservar a actual trégua, instando todas as partes a respeitar os compromissos assumidos e a avançar pelo diálogo, pois apenas o calar das armas poderá criar condições para aliviar a situação no estreito e garantir a segurança da navegação, reiterando o apelo à via do diálogo e da negociação.


Xi Jinping pede cessar-fogo abrangente e duradouro face à escalada em Ormuz


Por sua vez, o presidente chinês, Xi Jinping, assumiu, hoje, um posicionamento similar, ao defender um cessar-fogo "abrangente e duradouro" no Médio Oriente, face à escalada em Ormuz.

O apelo foi feito durante um encontro, em Pequim, com o príncipe herdeiro de Abu Dhabi, Khaled bin Mohamed bin Zayed Al Nahyan, reportou também a agência noticiosa portuguesa.

A reunião decorreu neste contexto de agravamento da crise no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas energéticas globais.

Durante o encontro, o estadista asiático considerou que a resolução da situação deve passar por vias políticas e diplomáticas e garantiu que Pequim continuará a desempenhar um "papel construtivo" e a "trabalhar activamente" para promover a paz, informa um comunicado divulgado pela Xinhua.

O líder chinês defendeu, igualmente, o respeito pela soberania, segurança e integridade territorial dos países do Médio Oriente e do Golfo, alertando contra a aplicação selectiva do direito internacional, que, afirmou, não poder ser usada "quando convém e descartado quando não".

Por essa razão, Xi Jinping apresentou quatro princípios para avançar na estabilidade regional, incluindo a coexistência pacífica entre os países da região, o respeito pelo direito internacional e a articulação entre desenvolvimento e segurança, numa altura em que o conflito aumenta a incerteza sobre rotas energéticas e o comércio global.

Defendeu, ainda, o reforço da coordenação em fóruns multilaterais como a ONU e os BRICS, acrescentando que a estabilidade das relações entre a China e os Emirados Árabes Unidos pode ajudar a mitigar a incerteza internacional.

As duas partes trocaram pontos de vista sobre a situação no Médio Oriente e no Golfo, marcada por restrições ao tráfego marítimo no Estreito de Ormuz e pelo anúncio dos Estados Unidos de bloquear e intercetar determinados navios, após o fracasso das negociações com o Irão no Paquistão, conclui a matéria.