O Presidente norte-americano, Donald Trump, disse hoje que espera o reinício de negociações de paz com o Irão dentro de dois dias em Islamabad, após as conversações no passado fim de semana terem terminado sem acordo.
Em declarações ao jornal New York Post, o líder da Casa Branca aconselhou os jornalistas a permanecerem na capital do Paquistão “porque alguma coisa pode acontecer nos próximos dois dias”.
Segundo o diário nova-iorquino, numa entrevista telefónica inicial, Trump afirmou que as discussões estavam “a acontecer”, embora “um pouco lentas”, indicando que uma segunda ronda de negociações directas poderia acontecer algures na Europa.
Cerca de meia hora depois, o líder norte-americano ligou de volta: “Vocês deviam ficar lá, a sério, porque pode acontecer alguma coisa nos próximos dois dias, e estamos mais inclinados a ir para lá”, avisou, referindo-se a Islamabad, que acolheu a ronda anterior entre as delegações de Washington e Teerão.
“É mais provável, sabem porquê? Porque o marechal de campo está a fazer um excelente trabalho”, acrescentou, numa alusão ao chefe do Estado-Maior do Exército paquistanês, Asim Munir, um dos mediadores das negociações para pôr fim ao conflito desencadeado pelos Estados Unidos e Israel, a 28 de Fevereiro contra o Irão e que se alastrou a outros países da região.
O Presidente norte-americano descreveu Munir como “um grande tipo”, que “acabou com a guerra com a Índia e salvou 30 milhões de pessoas”.
Donald Trump não sinalizou quem representaria os Estados Unidos numa nova ronda negocial, depois de ter destacado, no passado fim de semana para Islamabad o seu Vice-Presidente, JD Vance, com o enviado da Casa Branca Steve Witkoff e o seu genro Jared Kushner.
O Paquistão está novamente empenhado em trazer o Irão e os Estados Unidos de volta à mesa das negociações, disseram duas fontes paquistanesas de alto nível à agência France-Presse (AFP). “Estamos a trabalhar para trazer ambos os lados de volta à mesa das negociações. É claro que queremos que regressem a Islamabad, mas o local ainda não está definido”, indicou uma das fontes.
JD Vance comentou na segunda-feira que “a bola está com os iranianos” e, no mesmo dia, Trump disse que Washington recebeu contactos de Teerão com o desejo de alcançar um acordo “a qualquer custo”.
Israel e Líbano acordam início de conversações

Israel e Líbano concordaram, ontem, iniciar conversações directas para uma paz duradoura, após uma primeira reunião em Washington entre representantes dos dois países, informou o Departamento de Estado norte-americano.
Segundo um comunicado divulgado pelo Departamento de Estado norte-americano no final do encontro entre os embaixadores de Israel em Washington, Yechiel Leiter, e do Líbano, Nada Hamadeh Moawad, “as partes concordaram iniciar negociações directas em data e local a acordar mutuamente”.
A diplomacia de Washington saudou as “discussões produtivas” dos dois lados sobre “os passos a tomar para iniciar negociações directas entre Israel e o Líbano”, onde decorre há mais de um mês uma ofensiva militar israelita contra o grupo xiita libanês pró-iraniano Hezbollah, que não foi convidado para a reunião.
Antes das primeiras conversações em mais de 30 anos entre Israel e Líbano, que não têm relações diplomáticas, o líder do Hezbollah, Naim Qassem, exigiu na segunda-feira o cancelamento do encontro, defendendo que este diálogo constitui uma capitulação de Beirute.
No comunicado, o Departamento de Estado faz uma referência a um eventual cessar-fogo, observando apenas que qualquer acordo “deve ser alcançado entre os dois Governos, com a intermediação dos Estados Unidos, e não através de qualquer via paralela” em alusão às conversações sobre o conflito no Irão, aliado do Hezbollah.
Aproveitar a oportunidade
Dezassete países, incluindo Portugal, pediram ontem ao Líbano e a Israel para “aproveitarem a oportunidade” das negociações directas de paz, sob mediação dos Estados Unidos.
Numa declaração conjunta, os signatários saudaram a iniciativa do Presidente libanês, Joseph Aoun, de iniciar negociações com Israel, bem como a disponibilidade israelita para participar no processo.
O documento sublinhou a importância de retomar o diálogo directo entre as partes, considerando que a actual conjuntura representa uma oportunidade para consolidar a desescalada regional.
Austrália, Bélgica, Croácia, Chipre, Dinamarca, Eslovénia, Espanha, França, Finlândia, Grécia, Islândia, Luxemburgo, Malta, Noruega, Portugal, Reino Unido e Suécia subscreveram a declaração.
As conversações vão decorrer em Washington, com mediação do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, e contam com a participação dos embaixadores de Israel e do Líbano, Yechiel Leiter e Nada Hamadeh Moawad, respetivamente, bem como do embaixador dos EUA no Líbano, Michel Issa.
Os países signatários alertaram que a continuação da guerra no Líbano coloca em risco a actual desescalada regional, defendendo que o cessar-fogo deve ser plenamente respeitado por todas as partes.
Na mesma declaração, os países condenaram "nos termos mais veementes" os ataques do movimento xiita Hezbollah contra Israel, bem como os bombardeamentos israelitas realizados no Líbano a 08 de abril, que, segundo as autoridades libanesas, causaram mais de 350 mortos e mais de mil feridos.
Cruz Vermelha anuncia envio de apoio para o Irão
O Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICV) anunciou, ontem, que conseguiu realizar o primeiro envio de ajuda humanitária para o Irão desde o início do conflito, totalizando 171 toneladas em ajuda de emergência.
“No domingo, um comboio de ajuda humanitária atravessou a fronteira iraniana depois de ter atravessado a Turquia, tendo partido de Ancara na sexta-feira”, anunciou em Genebra o porta-voz da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (FICR), Tommaso Della Longa.
Cinco dos camiões foram entregues na segunda-feira ao Crescente Vermelho iraniano e os nove restantes deverão entregar o carregamento ao longo desta semana, precisou num comunicado o Comité Internacional da Cruz Vermelha, citado pela Lusa. O CICV, especializado em intervenções em conflitos armados, tinha anunciado o envio de “171 toneladas de artigos de socorro essenciais para o Crescente Vermelho iraniano”.
No total, o CICV afirmou ter enviado do seu armazém na Jordânia 14 camiões transportando artigos domésticos de primeira necessidade suficientes para responder às necessidades de cerca de 25 mil pessoas. Estes artigos incluem cobertores, utensílios de cozinha, lonas, ‘kits’ de higiene, lanternas solares, baldes e colchões.
Bloqueio em Ormuz trava navios iranianos

O Comando Central das Forças Armadas dos Estados Unidos (CENTCOM) disse, ontem, que nenhuma embarcação iraniana conseguiu romper o bloqueio imposto pelo seu país no Estreito de Ormuz durante as primeiras 24 horas da operação.
Segundo o CENTCOM, seis navios cumpriram as ordens das forças norte-americanas e regressaram a portos iranianos no Golfo de Omã, após serem impedidos de prosseguir.
O comando militar indicou que o bloqueio está a ser aplicado a embarcações de todas as bandeiras que entrem ou saiam de portos iranianos, tanto no Golfo Pérsico como no Golfo de Omã, garantindo simultaneamente a “livre navegação” para navios com origem ou destino em portos não iranianos.
Para a operação, os Estados Unidos mobilizaram mais de 10 mil militares da Marinha e da Força Aérea, apoiados por mais de uma dezena de navios de guerra e dezenas de aeronaves.
Na segunda-feira, o Presidente norte-americano, Donald Trump, ameaçou “eliminar” quaisquer embarcações iranianas que tentem contornar o bloqueio, recorrendo a métodos semelhantes aos utilizados no combate ao narcotráfico marítimo.
Apesar do bloqueio, dados da empresa de análise marítima Kpler revelam que vários navios conseguiram atravessar o estreito na segunda-feira, incluindo o petroleiro Elpis e o navio Christianna, bem como o cargueiro chinês Rich Starry, alguns dos quais sujeitos a sanções norte-americanas.
Outro navio, o petroleiro Murlikishan, também terá atravessado a passagem na manhã de ontem, com destino ao Iraque, segundo sinais de ‘transponder’ analisados pela mesma fonte.
A China apelou à manutenção da navegação “sem entraves” no Estreito de Ormuz e instou Washington e Teerão a respeitarem o cessar-fogo temporário, defendendo uma solução diplomática para o conflito.
O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Guo Jiakun, defendeu que a segurança e a estabilidade desta rota são do interesse da comunidade internacional, rejeitando como “calúnias infundadas” as alegações de apoio militar chinês ao Irão.
Pequim reiterou ainda disponibilidade para desempenhar um papel “positivo e construtivo” na desescalada da crise, sublinhando a importância de um cessar-fogo imediato e da continuação das negociações diplomáticas.