Programa de Neurorradiologia implementado no Hospital Pedalé



Angola deu um passo histórico com a implementação de um programa de Neurorradiologia Intervencionista (NRI) no Hospital Pedalé, em Luanda, soube hoje o Jornal de Angola Online.

A informação foi prestada pelo Ministério da Saúde durante o primeiro Encontro de Neurorradiologia de Intervenção, que a capital do país acolheu na quinta-feira. 

A iniciativa do programa é fruto de uma parceria estratégica entre Angola e Brasil, com apoio do Banco Mundial, através da Unidade de Implementação do Projecto de Formação de Recursos Humanos para a Cobertura Universal de Saúde (PFRHS), do Ministério da Saúde de Angola .


O programa formará seis especialistas angolanos, com internato estruturado de dois anos no Brasil, supervisão presencial de docentes da SBNR e acompanhamento contínuo via telemedicina.

Ao término da formação, os médicos estarão habilitados a atender pacientes localmente, tornando o Hospital Pedalé um centro de excelência nacional e modelo replicável para outras especialidades e hospitais.

De acordo com o presidente da Sociedade Brasileira de Neurorradiologia de Intervenção, Carlos Freitas, citado numa nota de imprensa, o NRI permite diagnóstico e tratamento de doenças do sistema nervoso central e vasos sanguíneos do cérebro por técnicas minimamente invasivas guiadas por imagem, sem cirurgia aberta. 

Entre os procedimentos estão destacam-se a toombectomia mecânica para AVC isquêmico agudo, embolização de aneurismas e malformações arteriovenosas (MAVs), colocação de stents, garantindo maior precisão, menor risco e recuperação mais rápida.

"O acesso a tratamentos de ponta em Angola representa um marco na redução de mortes e incapacidades evitáveis, garantindo soberania médica e autonomia técnica para o país", destacou. 

O coordenador e gestor técnico do PFRHS, Job Monteiro, reforçou que o programa de formação faz parte de uma estratégia maior, visando formar 38.000 profissionais até 2028. Deste número, 3.000 serão médicos, com especial atenção às formações prioritárias que correspondem a 80% da cobertura nacional e local. 

O projecto abrange todas as 21 províncias, com um investimento de US$ 200 milhões, distribuídos em quatro componentes: formação de especialistas, desenvolvimento de normas e políticas, centros de treinamento e sistema de monitoramento de recursos humanos.

O programa iniciou-se em maio de 2026, com a primeira reunião sobre NRI, assinatura de contratos e início do internato. 

O Hospital Pedalé já dispõe de salas de angiografia e equipamentos de imagem de ponta, permitindo que Angola ofereça tratamentos complexos localmente, sem necessidade de enviar pacientes para o exterior.

No encerramento, a ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta, destacou juventude, inovação, cooperação internacional e organização hospitalar.

“Devemos investir cada vez mais na juventude. Temos que aproveitar todo esse potencial e não ter medo de colocar os jovens a dirigir, porque eles fazem maravilhas", disse.