Campanha de saúde ocular prevê atender até 300 pessoas em Luanda

 Uma campanha de rastreio da saúde visual, promovida pela Clínica Global Diagnóstico, permitiu identificar, ontem, em Luanda, casos de glaucoma, catarata e outras patologias oculares, numa iniciativa que prevê atender entre 250 e 350 pacientes durante dois dias.


A acção conta com a participação do mestre em Optometria e Visão e especialista em neurovisão, optometria pediátrica e terapia visual, Ngueve Sousa, que exerce há 15 anos em Madrid, Espanha, e está em Angola pela terceira vez, a convite da Clínica Global Diagnóstico.

A especialista em Neurovisão explicou que uma das principais preocupações da campanha é a detecção precoce do glaucoma, doença que pode evoluir sem sintomas e provocar danos irreversíveis no nervo óptico.

“O glaucoma não dá sintomas. Quando o paciente chega à consulta, muitas vezes, tudo o que se perdeu já não conseguimos reverter”, alertou.
Como exemplo da importância do rastreio, Ngueve Sousa referiu o caso de uma paciente atendida ontem, que apresentava uma pressão intraocular de 30 milímetros de mercúrio, acima dos 21 considerados normais.

Apesar da alteração, a paciente não apresentava sintomas e procurou a campanha depois de ter sido incentivada pela filha. Segundo a especialista, a existência de familiares com problemas de visão deve igualmente ser considerada um factor de alerta, sobretudo quando existem antecedentes de cegueira.

Durante o primeiro dia da campanha foram também identificados vários casos de catarata. Dos dez primeiros pacientes avaliados pelo especialista, três apresentavam uma redução acentuada da visão, conseguindo distinguir apenas a luz ou o movimento das mãos.

Os casos com suspeita de patologias são encaminhados para avaliação oftalmológica, enquanto os pacientes que necessitam de correcção visual recebem a respectiva receita para a obtenção de óculos.

Componente social
A campanha inclui, igualmente, uma componente social, com a distribuição gratuita de armações e óculos de leitura.

Ngueve Sousa revelou que, foram disponibilizadas mais de 300 armações, através de uma doação do Colégio de Médicos de Madrid, além de mais de 800 pares de óculos oferecidos pela Ordem dos Optometristas da Região Centro e Sul de Espanha.
Os materiais são distribuídos de acordo com as necessidades identificadas, com prioridade para os pacientes mais carenciados.

“Não é só a saúde, também é moda. As pessoas podem escolher a armação de que gostam”, explicou.

Atenção à saúde visual das crianças
A saúde visual das crianças constitui outra das preocupações da equipa. O especialista chamou a atenção para casos de ambliopia, conhecida como “olho preguiçoso”, que pode surgir quando problemas de graduação não são corrigidos atempadamente.

Segundo explicou, o período de desenvolvimento visual é determinante para a recuperação de algumas alterações, pelo que recomenda avaliações aos três e aos seis anos, antes e no início da idade escolar.

“Pedimos a todas as famílias que tragam as suas crianças. Dos três aos seis anos é fundamental fazer uma revisão, mas digo sempre dos três aos 18, para não deixar ninguém de fora”, apelou.

A especialista esclareceu, por outro lado, que uma consulta de optometria ou oftalmologia não significa necessariamente que o paciente tenha de usar óculos. “Nem sempre é preciso usar óculos”, afirmou.

Ainda assim, recomendou o uso de óculos de sol com filtros adequados, como forma de proteger os olhos da exposição aos raios ultravioleta.

Ngueve Sousa chamou a atenção para a elevada exposição à radiação ultravioleta em Angola, apontando a possibilidade de esta contribuir para determinadas alterações oculares. Referiu igualmente a ocorrência de cataratas em pessoas relativamente jovens, quando comparada com a realidade observada em países como Espanha.

Para os utilizadores de óculos, recomendou avaliações regulares, sobretudo entre crianças e jovens, podendo a revisão ser feita anualmente ou, no máximo, a cada ano e meio, dependendo de cada caso.

Para pessoas a partir dos 45 anos, quando começam a surgir alterações associadas à presbiopia, aconselhou avaliações a cada dois ou três anos.

Já os pacientes com diabetes, hipertensão ou glaucoma devem seguir a periodicidade determinada pelo médico, podendo necessitar de acompanhamento semestral ou anual.

Rastreios devem chegar às comunidades
A iniciativa da Clínica Global Diagnóstico não deverá ficar limitada a Luanda. A intenção é levar as acções de rastreio a outras regiões do país, em função das necessidades identificadas.

“Um dos nossos objectivos é ir ao encontro das comunidades. Já realizámos uma primeira triagem no ano passado, na província do Lambo e, em função do que a direcção clínica decidir, iremos onde houver necessidade de pacientes para serem vistos”, afirmou.

No primeiro dia, às 10 horas, a equipa já tinha atendido mais de 100 pessoas, com a expectativa de chegar a cerca de 180 a 200 pacientes até ao final da jornada.

A campanha prossegue hoje, último dia da iniciativa, com um apelo às famílias para levarem crianças, jovens e adultos para uma avaliação da saúde visual.

O especialista defendeu, igualmente, que a medição da pressão intraocular deve fazer parte dos cuidados preventivos, sobretudo entre pessoas com maior risco de glaucoma, uma vez que a doença pode evoluir silenciosamente até provocar danos permanentes na visão.

A especialista angolana em Neurovisão, Ngueve Sousa, dispõe de consultório Óptica Visual Center”, na cidade de Madrid, Reino de Espanha, para atendimento na especialidade de optometria e auditiva à comunidade.