País propõe parceria global para o futuro tecnológico

Angola apelou ao reforço da cooperação internacional para garantir que os avanços tecnológicos, com realce para a inteligência artificial, contribuam para o desenvolvimento sustentável, a diversificação económica e a inclusão social, sem aprofundar as desigualdades entre os países.

A posição do país foi assumida pelo representante permanente de Angola junto das Nações Unidas, Francisco da Cruz, durante a participação, sexta-feira, no debate da Segunda Comissão da Assembleia Geral sobre as Tecnologias de Informação e Comunicação para o Desenvolvimento Sustentável, realizado na sede das Nações Unidas. 

O diplomata angolano reconheceu as oportunidades proporcionadas pelos rápidos avanços da Inteligência Artificial e de outras tecnologias emergentes, alertando, contudo, para os riscos de agravamento das desigualdades digitais, sobretudo nos países em desenvolvimento. 

Francisco da Cruz sublinhou que a redução da exclusão digital exige não apenas o acesso à internet, mas, também, conectividade acessível e fiável, desenvolvimento de competências digitais, acesso às tecnologias e ambientes digitais seguros. 

Neste contexto, apresentou três acções prioritárias destinadas a assegurar que o progresso tecnológico contribui, efectivamente, para a concretização dos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). 

Ao abordar os progressos nacionais, o representante permanente junto das Nações Unidas destacou os esforços desenvolvidos por Angola no quadro do Livro Branco das Tecnologias de Informação e Comunicação 2023-2027, instrumento que estabelece como prioridades a expansão da conectividade, a cibersegurança, a modernização da administração pública e a promoção da inovação tecnológica. 

Realçou, igualmente, o contributo do satélite ANGOSAT-2 para a redução das assimetrias no acesso às comunicações, bem como o papel do Fórum Angolano de Tecnologias de Informação e Comunicação (ANGOTIC) na promoção de parcerias entre o Governo, o sector privado, as instituições académicas e os agentes de inovação. 

Francisco da Cruz referiu, ainda, que o país está a desenvolver a sua Estratégia Nacional para a Inteligência Artificial e a Governação Digital, paralelamente ao reforço das competências digitais e à criação de infra-estruturas digitais públicas inclusivas. Numa outra intervenção, na Sexta Comissão da Assembleia Geral, durante o debate sobre “O Estado de Direito nos Níveis Nacional e Internacional”, o diplomata angolano partilhou a experiência nacional, sobretudo os progressos de Angola na consolidação da paz, da reconciliação nacional e no fortalecimento das instituições judiciais. 

O momento serviu, também, para falar do papel do país na promoção da diplomacia preventiva, da mediação e da resolução pacífica de conflitos em África, com particular incidência na Região dos Grandes Lagos e na África Central.