Relatório da FAJ alerta para cenário preocupante no jornalismo africano

 Os jornalistas africanos continuam a enfrentar sérias dificuldades para garantir a subsistência, exercer a profissão em segurança e trabalhar com liberdade editorial, de acordo com um novo relatório da Federação de Jornalistas Africanos (FAJ), organização pan-africana da Federação Internacional de Jornalistas (IFJ).


O documento, elaborado com base num inquérito realizado com 1.586 jornalistas de 45 países, distribuídos pelas cinco regiões do continente, traça um quadro preocupante das condições laborais, da segurança dos profissionais e do estado da liberdade de imprensa em África,
 
O estudo intitulado “Jornalismo sob cerco: condições de trabalho precárias e declínio da liberdade de imprensa em África”, é apresentado como o primeiro relatório de âmbito continental, conduzido por jornalistas, a reunir dados sobre condições de trabalho, direitos laborais, segurança e liberdade de imprensa.
 
A investigação foi desenvolvida pela FAJ, com o apoio do Programa Multidoadores da UNESCO para a Liberdade de Expressão e a Segurança dos Jornalistas. Os resultados apontam que 61 por cento dos profissionais inquiridos não conseguem satisfazer as necessidades básicas de subsistência com os rendimentos provenientes da actividade jornalística. Apenas quatro por cento consideram que os salários recebidos são suficientes para cobrir adequadamente as despesas essenciais.
 
A precariedade laboral constitui outra das principais preocupações identificadas no estudo. Cerca de 58 por cento dos jornalistas relataram atrasos no pagamento das remunerações, 62 por cento trabalham sem contratos escritos e 71 por cento não beneficiam de qualquer protecção social.
 
O relatório indica, igualmente, que os profissionais independentes (freelancers) representam 29 por cento dos inquiridos, enquanto os colaboradores e correspondentes constituem outros 18 por cento. Mais de metade dos participantes, o equivalente a 53 por cento, tem idades compreendidas entre os 18 e os 34 anos.
 
Angola regista avanços
O país registou, entre 2022 e 2026, avanços significativos nos sectores das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social, com a expansão da Rede Nacional de Banda Larga em mais de 1.300 quilómetros de fibra óptica, o que permitiu reforçar a cobertura das redes móveis 3G, 4G e 5G.

Os dados constam da Mensagem sobre o Estado da Nação, apresentada pelo Presidente da República, João Lourenço, por ocasião da abertura da 5.ª Sessão Legislativa da V Legislatura da Assembleia Nacional.

De acordo com o Chefe de Estado, foram criados pontos de acesso gratuito à Internet em 18 províncias, com benefícios para oito milhões de cidadãos, além da estruturação da Cloud Nacional e do Data Center do Governo, que contribuíram para a disponibilização de serviços digitais mais seguros e acessíveis.

Os avanços neste domínio, prosseguiu, estenderam-se à modernização tecnológica e técnica dos órgãos de comunicação social, com destaque para a expansão do sinal da Rádio Nacional de Angola (RNA), a melhoria das condições de trabalho e o reforço das infra-estruturas existentes.

Sobre este capítulo, o Presidente da República fez saber que o processo de modernização abrangeu, também, o Centro de Produção da Camama, os centros provinciais e o centro de formação, assim como a criação de novos canais e a formação de mais de 1.100 profissionais do sector. 

Segundo o Presidente da República, estas iniciativas contribuíram para elevar a qualidade técnica e ética da comunicação social. “Programas como o N’gola Digital, Escola Conectada e Conecta Angola levaram computadores e conectividade a milhares de estudantes e comunidades, inclusive em zonas remotas, através do ANGOSAT-2”, salientou o Chefe de Estado, na Mensagem sobre o Estado da Nação. 

Aumento salarial
Neste contexto, o Governo angolano aprovou, em 2025, um aumento salarial de 58 por cento para os jornalistas, que contemplou igualmente a progressão nas carreiras dos profissionais da comunicação social pública. 

Além disso, o governo criou, também, um fundo social para os funcionários das empresas do sector da Comunicação Social.