Nove paramédicos morreram e sete médicos ficaram feridos ontem no Sul do Líbano, em consequência de ataques de Israel que atingiram unidades de saúde no país, revelou a Organização Mundial da Saúde (OMS).
Num comunicado partilhado na rede social X, e sem identificar a autoria dos ataques, o director-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, lamentou “mais uma tragédia hoje no Sul do Líbano”, com a morte de nove paramédicos e ferimentos em sete médicos, em cinco ataques a instalações e unidades de saúde, no dia em que se completava um mês desde o início do conflito entre os Estados Unidos e Israel contra o Irão.
Com um total de 51 vítimas mortais registadas, “Março tem sido o segundo mês mais mortífero para os que trabalham em saúde no Líbano, desde que a OMS monitora os ataques a unidades de saúde no país, em Outubro de 2023”, escreveu Ghebreyesus.
O director-geral lançou ainda um apelo ao fim dos ataques aos serviços de saúde no Líbano, lembrando que os profissionais desta área estão protegidos pelo direito internacional humanitário.
Segundo a OMS, pelo menos quatro hospitais e 51 unidades de cuidados primários estão encerradas e há registo de instalações de saúde com danos parciais ou a funcionarem com capacidade reduzida.
A agência noticiosa libanesa NNA já tinha noticiado, ontem, a morte de pelo menos dez pessoas, entre as quais cinco profissionais de saúde em Zoutar Sharqi, na sequência de ataques israelitas no Sul do Líbano.
Desde 2 de Março, Israel mantém uma intensa operação de bombardeamentos contra o Líbano, que já causou mais de 1.100 mortos, entre eles 121 crianças e mais de 3.200 feridos, além de ter causado o deslocamento forçado de mais de um milhão de pessoas.
Três jornalistas libaneses mortos
Um ataque israelita matou três jornalistas libaneses, entre os quais uma correspondente da Al-Mayadeen, afiliado do Hezbollah, e um da Al-Manar, pró-Irão, anunciou fonte militar.
“A jornalista da Al-Mayadeen, Fatima Ftouni, e o correspondente da Al-Manar, Ali Shouaib, foram mortos num ataque aéreo israelita contra o carro em que seguiam, na região de Jezzine”, disse fonte militar, citada pela Agência France Presse (AFP).
O irmão de Fatima Ftouni, operador de câmara, também foi morto no ataque.
O exército israelita defendeu que Ali Shouaib pertencia à força de elite al-Radwan do movimento xiita Hezbollah.
Na rede social Telegram, a Al-Manar já confirmou a morte de Al-Mayadeen. A Al-Manar também já anunciou a morte do seu correspondente de guerra e um dos jornalistas mais antigos do canal.
A ofensiva no Irão coordenada entre os Estados Unidos e Israel completou ontem um mês. A guerra resultou em ataques iranianos contra alvos militares e estratégicos em diversos países aliados de Washington no Médio Oriente.
Washington e Teerão iniciaram conversações indirectas com mediação do Paquistão.
O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na quinta-feira que, para dar espaço às negociações, adiou até 6 de Abril o ultimato dado ao Irão para desbloquear o Estreito de Ormuz, ameaçando, caso contrário, destruir as suas centrais eléctricas.
REPRIMIDOS PELA POLÍCIA
Israel palco de protestos contra “guerra eterna”
Cerca de milhares de pessoas manifestaram-se na noite de ontem em dezenas de localidades de Israel, entre as quais a capital Telavive, contra “outra guerra eterna”, com os protestos a serem reprimidos com violência pela polícia, segundo a organização.
“Activistas de direita e a polícia receberam instruções para realizar detenções e silenciar a oposição”, denunciou a ONG israelita Standing Together, citada pela agência EFE, acrescentando que “o Governo teme a expansão do movimento de protesto, que este fim de semana juntou milhares de manifestantes em mais de 30 localidades do país”.
“Não nos renderemos. O protesto contra a guerra e este Governo continuará em crescendo”, acrescentou ainda a organização não-governamental.
Em Telavive, agentes da polícia israelita detiveram de forma violenta vários manifestantes, segundo vídeos difundidos pela Standing Together. Há, pelo menos, oito detidos, segundo o diário Há’aretz, ainda que a polícia israelita não tenha confirmado os números.
Na Praça Habima, em Telavive, juntaram-se centenas de manifestantes e também um grupo de activistas com fotografias dos rostos de crianças mortas por ataques israelitas tanto no Irão, como no Líbano ou na Cisjordânia.
Multidões voltam às ruascontra o Governo de Trump
A terceira edição do protesto “No Kings” voltou a arrastar multidões para as ruas de Nova Iorque, onde se manifestaram contra o Governo de Donald Trump, a quem acusam de tentar derrubar a democracia nos Estados Unidos.
Em Nova Iorque, o protesto começou junto ao Central Park e estendeu-se até à turística Times Square, com milhares de pessoas a marcharem pela destituição do Presidente.
“Este Presidente está a quebrar tudo aquilo que a América defende. As guerras, a economia, as leis que Trump tem quebrado... Estamos a perder o Estado de Direito”, disse, à Lusa, Ellen, uma nova-iorquina de 84 anos. “Nunca pensei que, com esta idade, tivesse de sair à rua para protestar contra o fascismo”, lamentou, acrescentando: “Esta já não é a nossa América”.
Ellen estava acompanha pelo marido, Mark, de 82 anos, que, por sua vez, expressou grande preocupação com a guerra em curso no Irão. Na visão do octogenário, Donald Trump está a ser manipulado pelo Primeiro-Ministro israelita, Benjamin Netanyahu, a quem acusou de matar inocentes do Líbano e em outros países da região.
Mais de três mil manifestações estavam agendadas para ontem em todo o país, para condenar uma série de políticas do Chefe de Estado e expressar descontentamento face à sua forma de governar, que os manifestantes veem como uma tentativa de monarquia.
“Trump quer governar sobre nós como um tirano”, diz o ‘site’ do protesto “No Kings”. “Mas esta é a América, e o poder pertence ao povo – não a aspirantes a reis ou aos seus comparsas bilionários”, argumentam.
Fim da guerra no Irão é discutida no Paquistão
Os ministros dos Negócios Estrangeiros do Paquistão, da Arábia Saudita, Egipto e Turquia reúnem-se hoje e amanhã em Islamabade para discutir a guerra no Médio Oriente, anunciou, ontem, o Governo paquistanês.
Os chefes da diplomacia destes países, a convite do paquistanês Ishaq Dar, vão encontrar-se para manter “discussões aprofundadas sobre uma série de temas, incluindo os esforços para reduzir as tensões na região”, indicou o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Paquistão, em comunicado.
Os ministros deverão também reunir-se com o Primeiro-Ministro paquistanês, Shehbaz Sharif.
O chefe da diplomacia turca, Hakan Fidan, já tinha evocado, na sexta-feira, a possibilidade de uma reunião a quatro. “Inicialmente, tínhamos previsto realizar esta reunião na Turquia (...) entre a Turquia, o Paquistão, o Egipto e a Arábia Saudita. No entanto, como os nossos homólogos paquistaneses tinham de permanecer no seu país, transferimos a reunião para o Paquistão. É possível que nos reunamos lá este fim de semana”, declarou então à cadeia privada turca A Haber.
Mantendo relações tanto com o Irão como com os Estados Unidos, bem como numerosos contactos com os países do Golfo, o Paquistão tem surgido nos últimos dias como um possível facilitador de negociações entre os dois lados da guerra no Médio Oriente, desencadeada há um mês.
Embora Teerão recuse admitir “discussões” com os Estados Unidos, os iranianos transmitiram “oficialmente”, através do mediador paquistanês, uma resposta a um plano norte-americano em 15 pontos, segundo uma fonte anónima citada na quinta-feira pela agência de notícias iraniana Tasnim.