O Chefe de Estado angolano apelou, sábado em Malabo, aos líderes dos países de África, Caraíbas e Pacífico no sentido de exigirem o fim das guerras em África, na Europa e no Médio Oriente.
Ao fazer o balanço do mandato de três anos à frente da Organização dos Estados de África, Caraíbas e Pacífico, João Lourenço pediu aos líderes dos 79 países integrantes a terem uma voz activa e um papel actuante na abordagem das grandes questões globais.
“O mundo transformo-se numa selva, onde qualquer superpotência evoca um direito inexistente à luz do Direito Internacional, o do ataque preventivo, suportado apenas na presunção de que alguém se está a preparar para me atacar e destruir”, disse o Presidente, sublinhando que “foi assim no Iraque, onde nada sde provou, e agora no Irão”.
João Lourenço alertou que o mundo não suporta, por muito mais tempo, o agravar de crises causadas pela acção “irresponsável do homem”, como a de segurança, humanitária, energética, alimentar e climática.
João Lourenço referiu que os pontos de vista dos líderes da África, Caraíbas e Pacífico devem ser tidos em conta na busca de soluções para os graves problemas que afectam, de forma cada vez mais ameaçadora, a segurança e a paz mundial.
No discurso de balanço, o Chefe de Estado angolano advertiu que a economia mundial corre sério risco de entrar em profunda recessão.
“A navegação marítima, o transporte aéreo internacional, o turismo, o comércio internacional, a cadeia logística de peças, componentes e matérias-primas essenciais ao funcionamento das indústrias estão todos à beira do colapso”, alertou João Lourenço, para acrescentar: “quem vai assumir a responsabilidade final desta hecatombe, que não é mais uma previsão, mas já é uma triste realidade?” .
Controlo e pilhagem das riquezas
O Presidente João Lourenço destacou que, os povos de África, Caraíbas e do Pacífico, por terem vivido durante séculos, uma amarga experiência, sabem que as mesmas motivações que estiveram na base do colonialismo, o do controlo e pilhagem das riquezas, persiste nos dias de hoje em pleno século XXI.
“Hoje, com os mais diferentes argumentos, mas com os mesmos objectivos, os de controlo das principais fontes energéticas do planeta, do petróleo, do gás e dos minerais críticos e estratégicos, fazem-se intervenções militares em qualquer ponto do planeta”, alertou o Presidente angolano.
“No contexto actual deste mundo convulsivo em que vivemos, carregado de incertezas quanto ao futuro, só a unidade, a acção coordenada e corajosa dos nossos países e dos povos do planeta, de uma maneira geral, se constituirão na força motriz para o mundo voltar às relações de cooperação com benefícios recíprocos, à defesa dos interesses colectivos de segurança, ao funcionamento regular da economia global, à protecção do Ambiente, à paz, à estabilidade e ao respeito e rigorosa observância das normas do Direito Internacional”, disse o Presidente João Lourenço.
Prémio pelo fortalecimento da organização
O Presidente João Lourenço recebeu, em Malabo, um prémio pelo trabalho realizado em prol do desenvolvimento da Organização dos Estados de África, Caraíbas e Pacífico (OAECP) e contributo ao fortalecimento da cooperação entre os Estados-membros.
O troféu, uma peça de arte em cristal de formato triangular, entregue pelo secretário-geral da OEACP, Moussa Batraki, justifica-se pelo facto de durante a presidência rotativa de Angola, a organização internacional ter logrado importantes avanços na sua afirmação na esfera global, tal como na valorização do capital humano, preservação dos Direitos Humanos e efectivação da Troika, permitindo a participação política da organização ao mais alto nível, bem como o aprofundamento da parceria estratégica com a União Europeia, materializada com a assinatura do Acordo de Samoa.
Sob a liderança do Presidente João Lourenço, é destacado o facto de a OEACP ter promovido o desenvolvimento sustentável, impulsionando a integração económica e os desafios comuns, com realce para as grandes questões das alterações climáticas, a segurança alimentar e a transformação económica.
Durante os três anos de mandato à frente da organização internacional, Angola escolheu como “bandeiras” da liderança a mitigação dos efeitos das alterações climáticas, a boa governação, a transparência e a valorização da produção interna de cada país, através de parcerias com instituições internacionais.
O objectivo era permitir um acesso "simplificado" dos produtos dos países da OEACP a "mercados mais abrangentes e com tarifas preferenciais".
Angola contribui com três milhões de euros
Durante a Mesa Redonda de Alto Nível sobre Mobilização de Recursos, presidida pelo Rei Mswati III, do e-Swatini, Angola anunciou uma contribuição de três milhões de euros para financiamento da organização.
O ministro das Relações Exteriores sublinhou que o funcionamento do Secretariado da OEACP tem sido condicionado por dificuldades orçamentais que limitam as suas capacidades em responder às necessidades e aspirações.
A XI Cimeira de Malabo, que encerra hoje, está a assinalar, igualmente, os 50 anos da OEACP. Antes da Cimeira de líderes, foi apresentado o relatório do Conselho de Ministros, que inclui as actividades realizadas entre 2022 e 2025, cujo relatório serviu de base para as decisões adoptadas pelo Chefes de Estado e de Governo.