“ Polícia queniana deteve homem acusado de recrutar combatentes para Rússia”

A polícia queniana anunciou, hoje, a detenção de um homem acusado de participar num esquema que enganou compatriotas com promessas de trabalho qualificado na Rússia, mas que acabou por levá-los para a linha da frente da guerra na Ucrânia.


Festus Omwamba foi detido sob suspeita de tráfico de pessoas na cidade de Moyale, no norte do Quénia, perto da fronteira com a Etiópia, e será transportado para a capital, Nairobi.

O porta-voz da polícia, Michael Muchiri, contou que Omwamba procurava fugir após regressar da Rússia.

O implicado, que foi identificado por três recrutas quenianos, tinha desaparecido assim que as famílias começarem a protestar contra o desaparecimento e a morte dos familiares na guerra na Ucrânia.

Um recruta, que fugiu da linha da frente e buscou refúgio na Embaixada do Quénia na Rússia e conseguiu regressar a casa, John Kamau, disse que conheceu Omwamba numa casa em Nairobi, onde estavam alojados outros recrutas que aguardavam a viagem para a Rússia.

Outro recruta, que pediu anonimato por receio de ser localizado pelos russos, declarou que o suspeito evitava contactar os recrutas por mensagem de texto e, em vez disso, ligava-lhes ou encontrava-se com eles pessoalmente.

O recruta inscreveu-se após ser informado de que conseguiria um emprego como canalizador na Rússia, mas, ao chegar, teve o passaporte confiscado e foi levado para um campo militar por alguns dias antes de ser enviado para a linha da frente do conflito.

Todos os recrutas disseram que Omwamba supervisionou os pedidos de visto de turista e a compra de passagens, e duas semanas na sequência do primeiro contacto receberam os vistos e viajaram para a Rússia.

A prisão de Omwamba é um grande avanço na pressão do Governo para impedir o recrutamento de quenianos para lutar na Ucrânia.

Na semana passada, o Governo daquele país disse que mais de mil quenianos foram recrutados para lutar pela Rússia na Ucrânia e que pelo menos 89 quenianos ainda estavam na linha de frente, 39 hospitalizados, 28 desaparecidos em combate, outros tinham voltado para casa e pelo menos um morreu.