Moçambique continua, pelo segundo ano, entre as crises de deslocados mais negligenciadas do mundo.
Os dados são do relatório divulgado, hoje, pelo Conselho Norueguês para Refugiados (NRC), que aponta para o agravamento da situação humanitária no país.
O documento, relativo a 2025, consultado pela Lusa, coloca Moçambique na 10.ª posição da lista num contexto global marcado por "cobertura mediática, financiamento e envolvimento político" que continuam insuficientes.
O NRC acrescenta, igualmente, que "a crise em Moçambique está a piorar", com a violência no norte a expandir-se em alcance e intensidade desde 2017, em Cabo Delgado, numa alusão aos ataques registados no ano passado nas províncias vizinhas de Niassa e depois Nampula, entretanto controlados.
A insegurança tem também impacto social, com o organização norueguesa a referir que "está a forçar o encerramento de escolas" e, com isso, a deixar "uma geração inteira", em Cabo Delgado, "sem educação e sem opções".
No plano humanitário, cerca de 1,3 milhões de pessoas necessitam de assistência e 498,8 mil estavam deslocadas em Moçambique, em 2025. Muitas acabam por fugir várias vezes, sendo que se deslocam "repetidamente em busca de rendimento e alimentação”, conclui a mesma fonte.